Uma nova rodada de alertas de contadores e advogados tributaristas reforça algo que o varejo não pode ignorar: o Split Payment, um dos mecanismos mais disruptivos da Reforma Tributária, tende a expor a fragilidade financeira de muitas empresas — principalmente as pequenas e médias.
O que é, de novo, o Split Payment
Na prática, é o sistema de pagamentos (bancos, Pix, boleto, cartões) que passa a segregar e recolher automaticamente o IBS e a CBS no exato momento em que a venda é liquidada — antes mesmo de o valor líquido cair na conta do lojista.
Ou seja: o dinheiro do imposto nunca chega a entrar no caixa da empresa. Ele já sai retido.
Por que isso preocupa tanto o varejo
O modelo elimina o que hoje é, na prática, um “capital de giro tributário”: o intervalo de tempo entre receber pela venda e pagar o imposto — período em que muitos varejistas usam esse dinheiro para girar o negócio.
Com o Split Payment:
- O caixa disponível no dia a dia diminui, porque parte do valor da venda nunca chega a entrar;
- Negócios que dependem de antecipação de recebíveis (comum no varejo e no e-commerce) sentem o impacto primeiro;
- A gestão financeira precisa se adaptar a uma rotina com menos “colchão” de caixa.
Não é para amanhã, mas também não dá para ignorar
O cronograma ainda dá um respiro: 2026 é ano de teste operacional, com alíquota simbólica de 1%. A implantação efetiva da CBS acontece em 2027, e o IBS segue uma transição mais longa. Ainda assim, o alerta de quem já está estudando o mecanismo é claro: quem esperar 2027 para começar a se organizar corre o risco de ser pego de surpresa.