O maior risco da Reforma Tributária para o varejo não é o imposto — é o cadastro de produtos

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    Quando o assunto é Reforma Tributária, a maioria dos lojistas foca a atenção na alíquota: quanto vai pagar, quando começa a cobrança, como fica a margem. Mas especialistas do setor apontam para um risco menos óbvio e, por isso mesmo, mais perigoso: o cadastro de produtos mal feito.

    Não é exagero. O varejo brasileiro aprendeu a sobreviver em meio a um dos sistemas tributários mais complexos do mundo, cheio de alíquotas sobrepostas e uma infinidade de códigos fiscais. A Reforma Tributária promete simplificar isso — mas só entrega esse benefício para quem tiver a base de produtos organizada.

    Por que o cadastro virou o ponto crítico

    A lógica do novo sistema (CBS e IBS) depende diretamente da classificação fiscal correta de cada item vendido — o NCM. É esse código que determina se um produto paga alíquota cheia, alíquota reduzida ou alíquota zero. Ou seja: o sistema não erra sozinho, mas se o cadastro estiver errado, o erro se repete automaticamente em toda nota fiscal emitida.

    Na prática, isso significa que um problema que antes ficava “escondido” numa planilha de estoque desatualizada agora aparece direto na nota fiscal — e pode gerar consequências reais: cobrança de imposto a mais, perda de crédito tributário (o chamado “crédito glosado”) e até rejeição de documentos fiscais pelo sistema.

    O que está em jogo além do imposto

    Vale reforçar: mesmo em operações comuns, como o rateio de custos em shoppings ou centros comerciais, a falta de um documento fiscal que individualize corretamente a operação pode fazer o lojista perder o direito ao crédito tributário. O reembolso de um custo compartilhado, sem essa formalização correta, não garante automaticamente o aproveitamento do crédito.

    Some isso à variação de regras entre os regimes: quem está no Lucro Real ou Lucro Presumido já precisa emitir notas dentro da nova lógica de IBS/CBS desde o início de 2026, enquanto empresas do Simples Nacional têm um cronograma próprio de adaptação. Cada mudança de regra aumenta a chance de inconsistência se o cadastro de produtos não acompanhar.

    Cadastro certo é decisão de gestão, não só tarefa operacional

    O ponto central que especialistas do setor vêm reforçando é que a Reforma Tributária não é apenas um desafio fiscal — é um desafio de gestão. Ela expõe quem realmente tem controle sobre seus dados, seu estoque e sua margem, e quem ainda opera no escuro. O lojista que organiza esse cadastro agora ganha velocidade de decisão; quem deixa para depois corre atrás do prejuízo quando o sistema começa a rejeitar notas ou glosar créditos.

    E o momento para agir é este: 2026 é o ano de teste do novo sistema. As alíquotas aplicadas ainda são simbólicas e não há cobrança efetiva — mas os documentos fiscais já precisam estar certos. É a janela ideal para auditar a base de produtos sem o peso de uma autuação real.

    Como a Nova Continental pode ajudar

    Revisar o cadastro fiscal de cada produto do seu mix é um trabalho técnico, mas evita dor de cabeça (e prejuízo) lá na frente. Nossa equipe pode ajudar seu negócio a identificar inconsistências antes que elas virem problema.

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