O comércio eletrônico continua avançando no Brasil e, junto com o crescimento das vendas, aumenta também a complexidade da gestão financeira das empresas.
No primeiro semestre de 2026, o e-commerce brasileiro movimentou R$ 208,4 bilhões, uma alta de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025. Foram registrados 756,7 milhões de pedidos, crescimento de 34,8%. Os dados são da Confi, por meio da Neotrust e da AfterSale, em parceria com o E-Commerce Brasil.
Para o segundo semestre, a expectativa divulgada pela Confi Neotrust era de aproximadamente R$ 254 bilhões em faturamento, o que representaria crescimento de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Mais canais, mais complexidade
O crescimento do comércio digital também mudou a rotina financeira dos varejistas.
Hoje, uma mesma empresa pode vender por meio de sua própria loja virtual, marketplaces e diferentes meios de pagamento. Cada canal pode trabalhar com regras próprias de comissão, taxas, prazos de repasse, antecipação de recebíveis, devoluções e estornos.
Por isso, o valor da venda registrado no sistema nem sempre é o mesmo valor que aparece no extrato bancário.
A conciliação financeira precisa conectar diferentes etapas da operação: pedido, venda, nota fiscal, taxas, comissões, devoluções, recebíveis e valor efetivamente depositado.
Onde está o risco?
Quando esses dados não são conciliados corretamente, a empresa pode ter dificuldade para identificar divergências entre o que vendeu e o que efetivamente recebeu.
Também pode perder visibilidade sobre custos de marketplace, taxas de pagamento, antecipações, cancelamentos e devoluções. Em operações com vários canais, isso pode dificultar até mesmo a análise da margem de cada canal de venda.
Outro ponto importante é que o valor líquido recebido não representa necessariamente o faturamento da empresa. O depósito pode já vir descontado de comissões, tarifas e outros valores relacionados à operação.
Contabilidade precisa acompanhar a operação
Nesse cenário, a contabilidade do varejo digital precisa estar integrada à realidade da empresa.
Não basta olhar somente o extrato bancário ou o relatório de vendas. É necessário cruzar as informações dos diferentes sistemas para entender se os valores estão sendo registrados corretamente e se os recebimentos correspondem às vendas realizadas.
Para o varejista, isso significa transformar a conciliação financeira em uma ferramenta de gestão, e não apenas em uma rotina operacional.
Crescer no digital exige controle
O avanço do e-commerce abre novas oportunidades para o varejo, mas também exige processos financeiros mais estruturados.
Quanto maior o número de canais de venda, maior a importância de acompanhar de perto faturamento, recebimentos, taxas, estoque, devoluções e margem.
Vender mais é importante. Saber exatamente quanto cada venda representa