Muito se fala sobre como a Reforma Tributária vai simplificar o sistema e permitir que as empresas aproveitem créditos de IBS e CBS sobre suas compras. Mas existe um detalhe que pode pegar lojistas de shoppings e centros comerciais de surpresa: nem toda despesa vai gerar crédito — mesmo que pareça um custo normal do negócio.
O problema está no rateio
Despesas como aluguel fixo e variável costumam gerar crédito tributário sem grandes complicações. O problema aparece em custos rateados entre os lojistas de um shopping ou galeria — como condomínio, fundo de promoção, energia, água, telefone e manutenção de ar-condicionado.
Quando o lojista simplesmente reembolsa o shopping por uma parte desses custos comuns, sem um documento fiscal que individualize a operação, o crédito pode ser negado pelo Fisco. Na prática, isso significa que a empresa paga a conta, mas não consegue recuperar o imposto embutido nela.
Por que isso importa
Esses custos rateados podem representar cerca de 17% da estrutura de despesas operacionais de um lojista. Se esse valor não gerar crédito, o efeito é justamente o oposto do que a reforma prometia: em vez de reduzir a carga tributária embutida no preço, ela acaba mantendo (ou até aumentando) esse custo escondido, exatamente na parte da operação onde o varejo mais precisa de alívio.
O que fazer desde já
O ponto de atenção aqui é documental: shoppings e administradoras de centros comerciais vão precisar adaptar a forma como emitem os documentos referentes a esses rateios, para que cada lojista consiga comprovar e individualizar sua parte da despesa. Do lado do lojista, vale acompanhar de perto como o seu shopping ou galeria está se organizando para essa mudança — e não assumir que “é tudo igual a antes”.